Os meus Eças (3)

Depois, veio o meu Eça mais, digamos, “escolar”. Pelo fim dos anos 70, início dos anos 80, ainda se lia alguma coisa nas escolas secundárias e Os Maias eram leitura “obrigatória”. Nunca gostei da expressão: para mim, a leitura não deve ser “obrigatória”, muito menos a d’Os Maias.

Hotel Central em Lisboa Cenário de um jantar n'Os Maias

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Cenário de um jantar n’Os Maias

Surgiu-me então a ideia de fazer alguma coisa de semelhante ao que eu lia em prestimosas colecções didácticas, sobretudo francesas; e tendo conversado sobre o assunto com uma antiga colega (por onde andará?), a ideia consolidou-se: a minha Introdução à leitura d’Os Maias, que publiquei, de novo na Almedina, em 1978, teve uma primeira tiragem de 12 500 exemplares,  número que obviamente achei desmedido. Mas quando verifiquei que aquela tiragem se esgotara em menos de um ano, pude confirmar a ideia de que o sagaz Joaquim Machado, com o seu faro editorial, dominava como poucos o mundo da  edição e o seu difícil mercado.

O livrinho ainda aí anda, já cansado de tanta reimpressão, de tanta fotocópia e de tantas imitações, umas disfarçadas, outras nem tanto. Vendeu, até hoje, uns 110 mil exemplares e fica na minha memória de autor como um momento decisivo em que percebi que era necessário e possível escrever claro sobre Eça de Queirós e sobre o seu grande romance.

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2 comentários

  1. Noélia Duarte

     /  27 de Janeiro de 2014

    Foi com muito gosto que li os «seus três Eças». Identifiquei-me com a motivação que creio estar subjacente às suas reflexões pessoais: os autores e as suas obras, mesmo quando transformados em matéria de uma vida profissional, são também marcos da nossa existência geral. Ao revê-los, é também esta que voltamos a viver. Quando li os seus «posts», recordei-me de modo tão claro do meu primeiro livro, do local onde estava, da hora que marcava… O livro não era de Eça (embora este também faça parte da minha experiência), mas continuo a ter dele sentido de posse tão pessoal que não consigo afastá-lo da memória daquele momento vivido. O mesmo se passa com todos os que se seguiram. Obrigada. Gostei de ler o que escreveu.

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