Eça de Queirós e a Religião

Banda desenhada, por Marcatti

Banda desenhada, por Marcatti

A religião configura-se como uma das principais temáticas da obra de Eça de Queirós. Muito da ficção do autor deixa transparecer nuanças de reflexões acerca da transcendência e da relação do homem com o sobrenatural, além de incessantes críticas à religião oficial de Portugal, o Cristianismo, e à principal Instituição religiosa do país, a Igreja Católica. Além de um anticlericalismo explicitamente revelado, o interesse de Eça se estabelece em questionamentos que vão desde o caráter transcendente apontado pelo Cristianismo até a discussão do que seria de fato a santidade e a transcendência. Em algumas obras a religião, e tudo o mais que é correlato a ela, são temas explícitos e avultantes como  O Crime do Padre Amaro (1880), A Relíquia (1887), Lendas de Santos (escritas entre 1891 – 1897, publicadas postumamente em 1912) e alguns contos como “Frei Genebro” (1894) e “O Suave Milagre” (1898). Porém, encontramos também outras ficções, cartas, crônicas e artigos de jornais nos quais a temática religiosa perpassa o discurso de maneira implícita, mas não menos instigante, caso de algumas cartas de Fradique Mendes, por exemplo.

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2 comentários

  1. Cândida Rodrigues

     /  24 de Janeiro de 2013

    Considero pertinente o artigo em questão. Todavia, a posição anticlerical assumida por Eça de Queirós, no meu entender, não deverá ser vista como mero ateísmo, mas sim, como o já sabido retrato social, reproduz comportamentos censuráveis, visanto, talvez, a correção dos mesmos.

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    • Antonio Augusto Nery

       /  27 de Janeiro de 2013

      Prezada Cândida, concordo contigo. Penso que sempre após a crítica virulenta e o anticlericalismo explicitamente revelado, há na produção queirosiana, direta ou indiretamente sugerida, uma proposta de renovação, de reavivamento, de maior coerência para a atuação da Instituição Religiosa – e da religião de um modo geral – na sociedade. Poderíamos resumir isso citando um pequeno trecho de “O bock ideal”, artigo escrito em 1893 e publicado postumamente nas Notas Contemporâneas (1909). Indiretamente no pensamento do Sr. De Vogüé, personagem principal desse texto jornalístico, temos a mensagem que paira em obras como O crime do Padre Amaro, A relíquia, Vidas de santos, entre outras: “Oh, está claro, há de ser preciso que a Igreja se transforme um pouco, um quase nada – que passe da estreiteza do Romantismo para uma catolicidade mais larga; que em lugar de mandar às nações núncios, lhes mande apóstolos; que retome a obra da primitiva Igreja, desentulhe o princípio cristão de todas as aluviões temporais que o sufocam, e de novo assuma o governo no puro das almas, para as conduzir à justiça social!”. Porém, como não poderia deixar de ser em se tratando de Eça de Queirós, tal apologia “positiva” está sempre entremeada com certa cautela e visando, como tu mencionastes, “a correção de comportamentos censuráveis”: “E bem iria ao futuro se a mocidade aí permanecesse por algum tempo a receber inolvidavelmente a suprema lição da bondade, da caridade, do amor aos pobres e do amor aos pequenos. Mas o que me inquieta (e aqui me parece ser o logro) é que nesse lugar divino, nessa Galiléia onde o Sr. de Vogüe levou a mocidade não está somente Jesus e a sua doce lição. Para além na sombra, por trás do Sr. Vogüe, parece-me avistar um sacristão! Erra aqui um cheiro eclesiástico de incenso e cera”.

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