Introdução à leitura d’Os Maias

 Introdução à leitura d'Os Maias         A publicação da Introdução à leitura d’Os Maias, com o propósito que agora a suscita, permite levar até a um público consideravelmente alargado uma monografia cuja primeira motivação foi de ordem pedagógica. Escrito há mais de trinta anos – e, por isso mesmo, não podendo isentar-se das marcas de estilo e do ambiente escolar de então –, este livro conheceu, por parte do público, um acolhimento  que, na época, tinha a sua razão de ser. Estudantes e professores de Português que liam Os Maias como texto “obrigatório” (expressão que sempre me causou algum desconforto) careciam de instrumentos  que apoiassem o estudo de um romance tão genial como complexo e extenso. Foi isso que este livro quis ser e não mais do que isso: um auxiliar de estudo.

            A reedição que agora se leva a cabo não anda longe desse intuito. Com efeito, a leitura ou a releitura d’Os Maias, mesmo que  fora do ambiente escolar, pelo puro gosto do encontro ou do reencontro com uma obra-prima, pode ser favorecida  por análises  como as que aqui se encontram. De modo algum elas substituem, contudo, o encantamento e a sedução que a presença real (para usar uma expressão famosa) d’Os Maias constitui, na vida dos que amam a literatura, fazem da leitura uma sempre renovada  descoberta  e reconhecem em Eça de Queirós o extraordinário escritor  que ele foi e é. E também o arguto conhecedor da sociedade portuguesa, dos seus defeitos e das suas ilusões, num estilo que ninguém, antes ou depois dele, foi capaz de imitar.

Muito tempo depois da sua redação original, este livro foi agora revisto. Tratou-se, antes de mais, de o ajustar ao projeto editorial em que ele se integra; mas tratou-se também de aligeirar o seu aparato académico e, tanto quanto possível, de adequar o seu texto, do ponto de vista estilístico, ao que serão as expectativas do leitor de agora. Tudo isto com a crença de que, quaisquer que sejam os roteiros de análise propostos, nunca se esgotará o potencial de surpresa e de novidade que um grande romance como Os Maias nos oferece.

(Nota Prévia)

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2 comentários

  1. Livro soberbo, um panteão de personalidades fortes amarrando capítulo fulcral da História portuguesa. personagens alucinantemente bem construídas, concertando traços, idiossincrasias, vícios e virtudes que poderiam levar outras mãos a escrever um dramalhão, muito do gosto certos “naturalismos”, mas superior na acuidade de visão e na filigrana do sarcasmo, às vezes melancólico, às vezes apocalíptico, que fazem do “dramatis personae” (tenho dúvidas quanto à ortografia dessa expressão, mas não vou pesquisar isso agora!) retrato universal do gênero humano. A leitura deste romance é, sim, “obrigatória” não no sentido menor mais rasteiro do termo, mas pela lição de narrativa e de humanidade que encerra. Pena não ter comigo um exemplar do volume que se publica, o que não diminui em nada a admiração e o respeito que tenho por seu autor, Carlos Reis, mais que professor, um LEITOR de Eça e, acredito, um amigo querido!

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  2. Caro Amigo: grato pelo generoso comentário. Dramatis personae: perfeito!

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