Eça e Machado: Revista de Estudos Literários, 6

O presente número da Revista de Estudos Literários é consagrado, na sua secção mais alargada, a Eça de Queirós e Machado de Assis, congraçados por uma designação sugestiva: diálogos transatlânticos.  Resulta esta secção temática de um colóquio internacional que teve lugar,  de 22 a 24 de outubro de 2015, em Indiana University,  com organização de Kathryn Bishop-Sánchez, de Luciana Namorato e de Estela Vieira. O referido colóquio reuniu, no belo campus de Bloomington, um conjunto alargado de especialistas nas obras queirosiana e machadiana, que ali reabriram a questão do diálogo entre os dois grandes escritores. Não, esclareça-se, nos termos  estafados que, durante anos, se fixaram na questão das “influências”, mas antes procurando linhas de afinidade e de divergência, de confluência e de  diferenciação entre os dois maiores romancistas da língua portuguesa.

Carlos Reis, “Nota Prévia”

 

A ficção e a crítica de Eça e Machado estabelece um estreito diálogo com a política, a economia e as relações internacionais de sua época, e põem em questão os conceitos de raça, gênero, classe social e identidade nacional. A sua obra também evidencia o desenvolvimento de importantes discursos científicos, tradições intelectuais e práticas culturais prevalecentes em Portugal e no Brasil do século XIX. Os ensaios aqui publicados tentam mostrar como é que a obra de Machado e Eça explora estes temas e discursos e quais são algumas das implicações dos diálogos criados pelos autores, especialmente, como é que estes são consequenciais para debates contemporâneos e ainda relevantes hoje em dia. As questões estéticas e epistemológicas que a obra destes dois autores levanta vêm-se mostrando mais e mais relevantes para a compreensão do nosso momento atual. Por isso, uma reavaliação comparativa da produção textual de Eça e Machado, assim como de sua receção (tanto na época em que viveram como nos anos posteriores a sua morte), conduz a reflexões relevantes ao campo das relações culturais transatlânticas e das produções pós-coloniais, assim como ao atual questionamento e revisão dos cânones literários nacionais.

Kathryn Bishop-Sánchez, Luciana Namorato e Estela Vieira, “Introdução”

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