Os Maias na Univ. Federal do Ceará

Há muitos anos, num programa de entrevistas da TV Cultura em São Paulo, foi feita uma enquete algo ociosa entre pessoas na rua: quem teria sido o brasileiro mais inteligente? Um rapaz respondeu sem pestanejar: Eça de Queirós! O equívoco sobre a nacionalidade do escritor, mais do que um erro, talvez revelasse sem querer uma verdade latente, a de que o autor português foi um dos estrangeiros mais brasileiros da história do país.

Diferente de outros ilustres forasteiros adotados, que em geral viveram e até morreram no Brasil, Eça nunca pisou nestas plagas, e todo contato com o público local foi através da escrita. Quando os primeiros exemplares de O primo Basílio aportaram no Rio de Janeiro, em 1878, Eça já era conhecido e admirado aqui por seu jornalismo. Best-seller instantâneo, O primo gerou verdadeira revolução e, em pouco tempo, a história de Luísa foi adaptada em várias versões teatrais, com grande sucesso nos palcos do país; e personagens e passagens do livro passaram a compor o repertório das conversas de todos.

A partir daí Eça já era nosso. Mas o selo de familiaridade veio com a colaboração no mais importante jornal da época, a Gazeta de Notícias. Em suas páginas, desde 1880, o escritor entrava nas casas brasileiras para, entre crônicas, ensaios, contos e romances, dar alguns pitacos na vida nacional, mas principalmente desconstruir a imagem idealizada que porventura poderíamos ter da Europa. Desta forma, a Gazeta de Notícias passou a ser a residência virtual (e oficial) do autor no Brasil. (…)

Em 2018, o Grupo Eça realizou o III Encontro Internacional em Fortaleza, no campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), com o apoio da Pró-Reitoria de Relações Internacionais. Na ocasião, membros do GE propuseram ao pró-reitor, prof. José Soares de Andrade Júnior, que a UFC encampasse uma coedição da Coleção dirigida por Carlos Reis. O desafio foi aceito pela UFC, com a entusiasmada aprovação do reitor prof. Henry de Holanda Campos, e a escolha do primeiro título a ser publicado recaiu, como não poderia deixar de ser, no opus magnum de Eça.

Registre-se, então, o agradecimento do Grupo Eça aos gestores da UFC pela generosidade e ousadia de brindar o público brasileiro com uma edição nacional do texto crítico de Os Maias; ao diretor da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dr. Duarte Azinheira, que viabilizou o convênio para a coedição; ao prof. Carlos Reis que intermediou as negociações e orientou a produção da presente edição crítica; e, por último, mas não menos importante, à equipe da Imprensa Universitária da UFC, na pessoa de seu diretor Joaquim Melo de Albuquerque, que produziu o livro em tempo recorde e com a habitual qualidade.

(José Carlos Siqueira,  extrato da nota prévia à edição crítica d’Os Maias publicada pela Univ. Federal e que será apresentada a 22 de agosto, na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará)

Imagem da capa por Descartes Gadelha

 

 

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