Eça de Queirós

Eça jornalista

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Acaba de ser publicado pela Imprensa Nacional o 18º volume da Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós. Com o título Textos de Imprensa II (do Distrito de Évora) e editado por Ana Teresa Peixinho, o referido volume, com uma extensão de 993 páginas, insere-se na secção que acolhe os textos de imprensa publicados pelo romancista ao longo da vida. Tal como acontecia com quase todos os escritores do seu tempo, Eça deixou vasta colaboração espalhada por jornais e por revistas; era essa uma forma não apenas de marcar presença no espaço público – nele, o “homem de letras” tinha uma voz autorizada –, mas também de receber proventos que completavam aqueles que, nem sempre de forma regular, vinham da atividade literária propriamente dita.

A isto junta-se uma outra razão mais significativa, para explicar a prolixidade jornalística de Eça. Para o romancista, os textos de imprensa (e em especial as crónicas) funcionavam muitas vezes como um laboratório de escrita: observar a realidade e os seus tipos humanos, construir relatos, mesmo que de curta dimensão, ou esboçar personagens e enredos eram procedimentos de experimentação literária que faziam todo o sentido, numa época em que jornalismo e literatura se conjugavam harmoniosamente.

A experiência jornalística de Eça de Queirós no Distrito de Évora é um exemplo expressivo do que fica dito, mas não se limita a isso. Conforme pode ler-se na circunstanciada introdução desta edição, está em causa, naquela experiência, uma verdadeira aventura pessoal, com importantes consequências formativas, que importa sublinhar: um jovem com menos de 22 anos, recém-formado e inexperiente, assume não apenas a escrita, mas também a direção e a edição de um bissemanário, ao longo de sete meses. Fá-lo numa pequena cidade de província, afastada, por isso, dos centros de decisão política e de produção cultural, com todas as dificuldades que isso implicava para o jornalista de circunstância que assumira um tal encargo.

Por isso mesmo, estes textos não podem ser ignorados, sendo testemunhos ilustrativos do amadurecimento literário de quem viria a ser o maior romancista português de sempre. A presente edição crítica retoma e procura completar o trabalho de recuperação de um acervo jornalístico aqui  enquadrado pelos componentes que usualmente estruturam estas edições. Assim, além da extensa introdução preparada por Ana Teresa Peixinho, encontram-se neste volume três apêndices e notas biobibliográficas.

 

 

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