Abecedário

Elenco de temas, de ideias, de movimentos e de géneros que conferem identidade própria à obra de Eça de Queirós. Da ficção à crónica de imprensa, passando pelas cartas, pelos textos polémicos e pelos ensaios, os fundamentais sentidos e as mais significativas opções de linguagem da produção queirosiana são objeto de uma caracterização singularizada, que atende também à sua correlação no interior da densa rede de interações que forma o universo literário queirosiano.
A apresentação em  abecedário configura uma formulação neutra e não hierarquizada daqueles sentidos, ideias e géneros.
  • Bovarismo: A caracterização do bovarismo implica a prévia alusão à personagem criada por Flaubert, da qual derivam o termo e o conceito em questão. Afetada po ruma imaginação desequilibrada, que decorre do excesso de leituras romanescas, Emma Bovary constrói um mundo imaginário, de referências eminentemente literárias, mundo que constantemente se confronta com a trivial banalidade da vida burguesa e vazia da idealização que rodeia a personagem; por isso, ela é conduzida a comportamentos (designadamente: relações adúlteras) tendentes a superar aquele desencontro, mas finalmente impulsionando-a ao suicídio. A isso mesmo referiu-se Eça, num texto de 1880, escrito quando da morte de Flaubert. (continuar a ler)
  • Cânone: A expressão com que designamos o cânone queirosiano não se confunde com aquela que diz de Eça de Queirós (como de Camões, de Garrett, de Herculano ou de Fernando Pessoa)  que é um escritor canónico. Nessa aceção, hoje relativamente trivial, as obras de Eça  e a sua língua literária  constituem um fator de legitimação dos valores, dos grandes temas e das ideias estruturantes de uma comunidade que a literatura, sobretudo através do sistema de ensino, ajuda a identificar. (continuar a ler)
  • Cidade: Na literatura do século XIX – e particularmente na ficção realista e naturalista -, a cidade constitui um cenário privilegiado, por nele confluírem figuras e conflitos que muito bem documentam questões de  dimensão social: a industrialização e os seus excessos, a proletarização dos trabalhadores, o crescimento urbano e os seus desequilíbrios, o cosmopolitismo e as suas contradições, etc. (continuar a ler)
  • Decadência:  O tema da decadência é um dos que  ligam a produção literária queirosiana a preocupações históricas e ideológicas assumidas pela Geração de 70. Dos seus anos de afirmação  datam iniciativas em geral interessadas na decadência portuguesa,  observada na nossa vida coletiva, sobretudo desde a Restauração do século XVII.  (continuar a ler)
  • Literatura: A constituição da literatura como tema, na obra queirosiana, é um processo com motivações várias, desenvolvido em distintos planos de reflexão. A importância adquirida por um tal tema advém, antes mais, da relevância que o fenómeno literário conheceu, no tempo cultural de Eça. (continuar a ler)
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1 Comentário

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