Maia, Afonso da

Walmor Chagas como Afonso da Maia (Globo, 2001)

Walmor Chagas como Afonso da Maia (Globo, 2001)

Personagem de caracterização predominantemente directa. É pai de Pedro da Maia  e avô de Carlos da Maia. Fisicamente apresenta uma estatura baixa, constituição forte, cabelos e barbas brancas e ar saudável; do ponto de vista moral e mesmo simbólico, Afonso remete para as qualidades de figuras do passado que Carlos da Maia lembra, logo no  primeiro capítulo: “lembrava (…) um varão esforçado das idades heróicas, um D. Duarte de Meneses ou um Afonso de Albuquerque.”

Apesar de não assumir um compromisso pleno com os ideais da sua geração, o percurso da sua juventude actualiza as transformações históricas e culturais de Portugal. Assim, encontramos o jovem Afonso empenhado nos valores e projetos da primeira geração liberal e romântica. Por outro lado, a sua maturidade e velhice  refletem já uma independência de espírito em relação aos objectivos da segunda e terceira gerações. Esta independência, possível pelo seu estatuto social e económico, é inseparável do ideal de uma aristocracia culta e influente, posição que deve muito à sua estadia na Inglaterra e à  admiração pelo modo de vida inglês.

Na ação central do romance, Afonso da Maia aparece como o patriarca afável e sereno, com uma vida regrada, a quem atrai tudo o que é são e generoso, mas é também zeloso da sua linhagem e deveres de classe. A confirmar o seu estilo de vida, inseparável do  apreço pela Inglaterra, estão as suas opiniões sobre a educação. De facto, o  desgosto pela fraqueza de Pedro da Maia  passa pelo desacordo com a educação portuguesa tradicional que o filho recebeu por vontade da mãe; em compensação, Afonso toma a seu cargo a educação do neto, educação em moldes ingleses, com ênfase no exercício físico, na higiene, na disciplina, na moderação e numa aprendizagem livre do domínio da Cartilha e da memorização.

Depois do fracasso da segunda geração da família, a de seu filho Pedro da Maia, é no neto que Afonso deposita, em vão, as suas esperanças. Ao nível da intriga principal, Afonso cumpre um papel de oponente, mas também de vítima, impotente perante o incesto entre os dois únicos descendentes da família. O processo de decadência familiar era já anunciado no fracasso pessoal do neto, em termos de projeto de vida, e é agora consumado no incesto, do qual só pode resultar a esterilidade. Afonso morre quando sabe da vergonha do neto e da não continuidade dos Maias.

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3 comentários

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